quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Rabeca de Fandango - Anísio Pereira

A Rabeca de Fandango, ou Rabeca Fandangueira, é uma tradição do litoral norte do Paraná, especialmente na cidade de Paranaguá, onde vive a família Pereira.



Essa rabequinha foi construída pelo Mestre Anísio Pereira no ano de 2002. Como manda a tradição, a madeira utilizada foi a Caixeta, ou Pau-de-Tamanco (Tabebuia cassinoides), espécie típica das matas inundáveis da costa da Mata Atlântica. Madeira leve e maleável, a caixeta é empregada em construções navais e na fabricação de outros instrumentos de fandango, como a viola e o adufo.



As rabecas dos Pereira têm 3 cordas, usualmente afinadas em quartas justas. O arco também é feito de caixeta, mas guarada a grande peculiaridade de utilizar o Timbopeva -espécie de cipó- como crina. Isto lhe confere um som bem rascante e de volume não muito alto. Outro fato curioso é a colocação de resina de Almesca (ou almécega) na parte posterior da mão do instrumento. Isto agiliza a aplicação da resina no arco durante as brincadeiras do Fandango.





Este instrumento possui decoração em pirógrafo no tampo superior, assim como uma pequenina rabeca esculpida em madeira colada sob o espelho, entre o braço e o cavalete. Este é feito de madeira um pouco mais dura e escura.



Segundo Rodolfo Vidal, rabequeiro de Cananéia, no Vale do Ribeira, SP, a rabeca de fandango "também pode ser feita na forma ou cavoucada, utilizando-se vários tipos de madeira diferentes. O instrumento possui três cordas em quase toda a região, À exceção de Morretes e Iguape, onde é encontrada com quatro cordas. A afinação mais usada, da corda mais grossa para a mais fina, é de uma quarta justa. A rabeca sempre dobra a primeira voz e, nos momentos em que a moda ou marca não estão sendo cantada, faz uma linha melódica própria, tendo um toque - ou ponteado - especí­fico para cada uma. Segundo os fandangueiros, a rabeca enfeita o fandango e, por não ter pontos como a viola, é mais difícil de ser tocada. O dandão e a chamarrita, modas valsadas, possuem vários temas diferentes para rabeca, e podem ser tocados na mesma moda conforme a vontade do rabequista. Em São Paulo os toques de rabeca são diferentes dos toques do Paraná."

Para conhecer mais sobre a tradição do Fandango visite o blog do amigo Rodolfo Vidal: www.aposolhe.blogspot.com

Para mais informações sobre o Fandango Paranaense, visite:
http://www.jornalcomunicacao.ufpr.br/node/5356

E também:
http://teucantodepraia.blogspot.com/2008/08/vises-do-mestre-e-rabeca-no-fogo_22.html
Até a próxima e boas rabecadas!

6 comentários:

  1. Adoro o som da rabeca!!!

    Dancei Fandango por 6 anos agora dou aula,é muito gratificante mostrar e levara diante a cultura.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Queridos!
      Alguém tem contato de um professor aqui em São Paulo capital?
      Muito agradeço a dica
      Lampi

      Excluir
  2. tenho uma rabeca de fandango que comprei de Lino Pereira quando ele esteve em brasilia num encontro de politicas públicas para as culturas populares. Isso faz anos. Quero saber da afinaçào. Como é esse termo de quartas justas. Não sou músico por isso peço detalhes. Essa rabeca que tenho não foi muito elaborada por Lino, tive que esculpir novamente o braço e quero saber se tradicionalmente as rabecas fandangueiras não tem alma ( haste de madeira que liga o tampo com o fundo ). fico grato se responderem. [ joaleyboro@hotmail.com ]

    ResponderExcluir
  3. A rabeca de fandango tem alma sim.

    ResponderExcluir
  4. Saudações rabequistas fandangueiros!!! a paz do PATRÃO VÉIO para todos vcs!!!

    Gostaria de conhecer mais a música para rabeca feita sob a luz campeira. Meu instrumento é o violino (talvez por enquanto), e penso em seguir o corredor da música galponeira. Quero escutar a rabeca sulista nos estilos regionais, para ver o que posso fazer com meu instrumento, dentro da música tradicional campeira.

    Os amigos violinistas e rabeqistas que desejarem se aprochegar para um amargo e prosas sem fim, me adicionem no msn? luisalbertamorim@hotmail.com digam q são da Criúva, boleie a perna e vamo tocar!!!

    quebra costela!!.

    ResponderExcluir
  5. Olá, sou de Curitiba e gostaria que me informasse se tem algum curso de Rabeca em Paranaguá ou região.
    Aguardo resposta.
    Abs
    Marcia

    ResponderExcluir